Postado 30/05/2017 por Daniel Farkuh

Lada Laika: ícone do comunismo soviético

Produzido entre 1970 e 2012, o Lada Laika é um dos maiores símbolos do comunismo na Rússia. Baseado no Fiat 124, o modelo foi concebido como um carro barato, de mecânica simples e fácil de ser mantido, que sobrevivesse ao período economicamente difícil enfrentado pela União Soviética principalmente durante a Guerra Fria.

Sem ter condições de preparar modernizações para o Laika, a Lada manteve o modelo praticamente intacto em todos o países nos quais ele foi produzido, inclusive no Brasil.

Símbolo soviético

Ao todo, a Lada vendeu cerca de 16 milhões de unidades do Laika em todo o planeta. Extremamente racional, o pequeno sedã tinha um porta-malas honesto, mecânica de simples manutenção e contava com um motor de 1.600 cilindradas que tinha pouca potência, mas encarava com valentia as ruas e estradas por onde rodava.

O comunismo fechou as portas da Rússia para produtos importados de outros países e, por isso, a indústria nacional precisou se virar para oferecer ao povo um carro que tivesse características suficientes para suprir as necessidades da sociedade. O Laika deu tão certo que a Lada desenvolveu uma perua com o mesmo nome, mais espaçosa do que o sedã.

O carro acabou se tornando um dos símbolos da resistência comunista e foi com essa fama que conquistou mercado em outros países.

Versatilidade a toda prova

Além do motor de 1.600 cilindradas, uma característica única do Lada Laika era sua tração traseira. Isso permitia uma tocada esportiva que fazia a cabeça de quem competia em rallys e pistas de asfalto.

O Laika chegou a ser um dos carros mais cobiçados entre os pilotos de rally devido a sua mecânica barata e a estabilidade e desempenho proporcionados por suas características de construção.

Mico no Brasil

Infelizmente, o Laika não teve o mesmo sucesso que conseguiu no restante do planeta quando chegou no Brasil. Em meados de 1990, após a abertura do mercado brasileiro para as marcas estrangeiras, a Lada chegou ao país com três modelos: o Laika (sedã e perua), o Samara e o jipe Niva.

O problema é que outras marcas como Honda, BMW e Mercedes começaram a se interessar pelo mercado brasileiro na mesma época e, com isso, a defasagem dos projetos soviéticos se tornou muito aparente.

O Laika vendeu apenas 33 mil unidades no país. Após 3 anos de produção, a Lada encerrou as atividades por aqui, o que fez com que as peças dos carros da marca se tornassem difíceis de serem encontradas. O resultado foi que os donos de Lada se cansaram dos inúmeros problemas sem solução apresentados pelos carros e a fama de “mico” pegou de vez os produtos russos.

Com exceção do Niva, que tem boa reputação entre os jipeiros, todos os modelos da Lada acabaram como sucata. Ainda é possível encontrar alguns deles entre colecionadores e restauradores, mas são muito raros.

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