Postado 07/06/2017 por Bruno Paes

Conheça o Uirapuru Brasinca 4200 GT: um esportivo de respeito!

Você consegue imaginar um esportivo genuinamente brasileiro, capaz de encarar de igual para igual grandes referências mundiais? Então prepare-se para conhecer a história do Brasinca 4200 GT, conhecido como Uirapuru.

Idealizado pelo espanhol radicado no Brasil Rigoberto Soler Gisbert, o Uirapuru trazia em seu DNA o material genético da Vemag, marca que fez sucesso nas pistas brasileiras. Depois de trabalhar lá por muitos anos, Soler transferiu-se para a Brasinca, uma empresa fabricante de carrocerias para caminhões e chapas de aço, que fornecia material para diversas montadoras brasileiras.

Brasinca 4200 GT: um projeto 100% nacional

Na Brasinca, Soler apresentou o projeto do Uirapuru, um esportivo puro sangue, com linhas agressivas e levemente inspiradas em clássicos da época, como o Corvette. O motor seria um seis cilindros de 4.200 cilindradas, projetado para equipar caminhões. O nome foi escolhido em homenagem a um pássaro popular na Amazônia brasileira.

Enquanto a maioria dos esportivos brasileiros (o Puma, por exemplo) utilizava fibra de vidro na carroceria, o Uirapuru era montado com chapas de aço em uma estrutura de monobloco. O chassi era feito com grandes vigas retangulares que se emendava, formando uma espécie de caixa oca. Esta característica impedia que o Uirapuru se retorcesse, dando ao carro uma estabilidade e resistência espetaculares.

O motor foi montado na dianteira, que foi projetada para ser a parte mais longa do carro, justamente para abrigar o enorme propulsor. Todo o projeto foi feito e executado pela Brasinca, sob a tutela de Rigoberto Soler.

De 0 a 100 em 1ª marcha!

O carro foi apresentado no Salão do Automóvel de 1964 e logo se tornou a sensação do evento. A Brasinca passaria a receber encomendas a partir de 1965 e iniciaria uma pequena linha de montagem artesanal, com os carros sendo feitos sob demanda.

O motor de caminhão produzida incríveis 32,7 mkgf de torque, a apenas 3.200 RPM, o que fazia com que o carro tivesse uma arrancada espetacular. O Uirapuru acelerava de 0 a 100 Km/H sem que o motorista precisasse trocar de marchas! A frente baixa proporcionava boa aerodinâmica e o carro chegava, facilmente, aos 200 Km/h de velocidade final.

O interior havia sido projetado para que o motorista se sentisse em um carro de corrida, dirigindo em posição mais baixa, com o câmbio à mão. O painel tinha conta giros, medidor de pressão do óleo, termômetro etc.

Poucas vendas e produção encerrada

A Brasinca não teve condições financeiras de continuar com o projeto e vendeu toda a estrutura para a STV (Sociedade Técnica de Veículos), empresa criada por Soler para continuar a produção do Uirapuru.

Em 1966 o carro ganhou faróis retangulares, para substituir os redondos que haviam sido criticados pela imprensa especializada.  O grande problema era o preço. Com a produção limitada e o projeto muito complexo, o Uirapuru custava espantosos 16 milhões de cruzeiros, o que fazia dele o veículo nacional mais caro em produção.

Em 1967, a STV acabou indo à falência e ninguém mais se interessou pela produção do Uirapuru. Em três anos de vida, foram construídos 75 exemplares do carro que acabou se tornando um clássico muito cobiçado.

Se você vir nas ruas um Brasinca 4200 GT Uirapuru, aproveite para tirar muitas fotos. Trata-se de um dos veículos mais raros do país. Gostou da história deste esportivo brasileiro? Então, participe deixando seu comentário! 

Fonte imagem: Car and Driver Brasil.